O dia 15 de maio de 2003 jamais será esquecido pela torcida do Paysandu. Há mais de duas décadas, Belém viveu uma das noites mais caóticas, emocionantes e históricas do futebol brasileiro, quando o Papão recebeu o Boca Juniors, da Argentina, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores da América.

Apesar da greve de ônibus que paralisou a capital paraense naquela quinta-feira, a torcida bicolor lotou o Mangueirão. |Arquivo/Ascom Paysandu
Apesar da greve de ônibus que paralisou a capital paraense naquela quinta-feira, a torcida bicolor lotou o Mangueirão. |Arquivo/Ascom Paysandu

Era a última vez que um clube da Região Norte pisaria em um mata-mata de Libertadores — e a torcida bicolor transformou o Mangueirão em um verdadeiro inferno azul e branco.

Depois da histórica vitória por 1 a 0 na Bombonera, em Buenos Aires, o Paysandu entrou em campo carregando o sonho de eliminar um dos maiores clubes do continente. O clima na capital paraense já era diferente dias antes da partida. Ruas tomadas por bandeiras, foguetório, carros buzinando e uma cidade completamente mobilizada.

Belém respirava Libertadores.

O dia que a torcida do Paysandu mostrou sua paixão para a América do Sul. Vídeo feito pelo jornalista Renan Camargo

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Mangueirão virou um caldeirão

Na noite da partida, o Mangueirão recebeu mais de 57 mil torcedores em uma atmosfera que impressionou a América do Sul. As arquibancadas estavam tomadas por bandeirolas, sinalizadores, faixas e um barulho ensurdecedor vindo da Fiel Bicolor.

Jogadores do Paysandu comemoram gol de empate no início do 2º tempo. Partida terminaria 4 a 2 para o Boca. | Arquivo/Ascom Paysandu

A pressão sobre o Boca Juniors começou antes mesmo da bola rolar.

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Torcedores lotaram os arredores do estádio horas antes do jogo, transformando a chegada da delegação argentina em um verdadeiro caos. O ambiente hostil e a paixão da torcida do Paysandu repercutiram em diversos veículos internacionais na época.

Dentro de campo, o Papão lutou até o fim, mas acabou sendo derrotado por 4 a 2 e eliminado da competição. Apesar da queda, aquela noite consolidou o clube paraense como um dos times mais marcantes daquela edição da Libertadores.

A vitória histórica na Bombonera

Dias antes da decisão em Belém, o Paysandu já havia chocado o continente ao derrotar o Boca Juniors por 1 a 0, dentro da Bombonera, com gol do atacante Iarley.

A equipe comandada por Darío Pereyra entrou para a história ao se tornar um dos poucos clubes brasileiros a vencer o Boca em Buenos Aires pela Libertadores.

Vélber atuando contra o Boca Juniors — Foto: Edimar Farias/O Liberal

O elenco bicolor contava com nomes que marcaram época, como:

A campanha daquele ano eternizou o Paysandu no cenário sul-americano.

Mangueirão lotado em Paysandu x Boca Juniors pela Libertadores de 2003

A última participação do Norte na Libertadores

O confronto contra o Boca Juniors marcou também o último jogo de um clube da Região Norte na Copa Libertadores até os dias atuais.

Mais de 20 anos depois, torcedores ainda relembram aquela campanha com orgulho e nostalgia. Para muitos bicolores, o Paysandu de 2003 representou o auge do futebol nortista no cenário continental.

As imagens do Mangueirão lotado seguem vivas na memória de quem viveu aquela noite histórica em Belém.

Uma paixão que atravessou fronteiras

Mesmo eliminado, o Paysandu saiu gigante diante do continente. A entrega dentro de campo e o espetáculo protagonizado pela torcida fizeram o clube ganhar respeito internacional.

Naquela noite, o Norte do Brasil mostrou sua força para a América do Sul.

E até hoje, quando se fala em atmosfera de Libertadores no Brasil, o Mangueirão de 2003 ainda é lembrado como um dos ambientes mais impressionantes já vistos.

Narrador argentino sobre a torcida no Mangueirão:

“Nunca vi isso! Porque nunca vi um estádio tão cheio de gente torcendo para uma seleção, não importa qual seja. Os grandes estão acostumados ao espetáculo… Corinthians, Flamengo, São Paulo, Boca, River. Mas isso? Sinceramente, faz muito tempo que eu não sentia isso em minha pele! Presenciar um estádio repleto de torcedores de apenas um time. Incentivando a cada momento, a cada segundo. Pelo menos para mim, é o que sinto: estou assombrado! Quase com vontade de deixar esse microfone e vibrar como mais um torcedor! Nos deixa a pele (arrepiada)… Paysandu, aqui em Belém!”

Confira os gols da partida

FICHA TÉCNICA DO JOGO

Data: 15.05.2003

Árbitro: Jorge Larrionda (URU)

PAYSANDU: Ronaldo; Wellington, Gino, Jorginho e Luis Fernando (Jobson); Sandro, Bruno, Welber (Balão) e Lecheva; Iarley e Vandick.

Técnico: Dario Pereira

BOCA JUNIORS: Abbondanzieri; Schiavi, Burdisso, Crosa e Jeres; Cascini, Battaglia, Cagna (Gustavo Pinto) e Tévez; Delgado (Donnet) e Guillermo Barros Schelotto.

Técnico: Carlos Bianchi.

GOLS: Schelotto 14’/1T (Boca), Lecheva 6’/2T (Paysandu), Delgado 12’/2T (Boca), Schelotto 22’/2T (Boca), Schelotto 25’/2T (Boca) e Burdisso 41’/2T (contra-Paysandu).

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